sábado, 11 de outubro de 2008

Lírio do dia - 120608

Nos píncaros do amanhecer
resvala o lírio do dia

Notas dribladas na corda
possante da vida

Sob a cúpula da hora
engastada na sombra
da aurora

Entoa canto
alado ao nó cego
da esperança

Alcança o coração
da ampulheta e dosa
as dores do parto
com a lança
afiada
do amor.



Nety Maria Heleres Carrion

Olhar - 140708

No brilho da noite
flutua o teu olhar

A passos largos põe-se a dançar
a dança na sombra
do tédio.

Nety Maria Heleres Carrion

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Colírio - 290108

Um sorriso cortou tua voz e teceu
em nós as malhas da felicidade


Crespas manobras
no colírio da aura


Espaço torcido no travesseiro da alma
orlada de salmos e boas-novas


O sonho pairou e despencou
sem maldade nos sons
da cidade


A rua caiu na amargura
das gotas suadas


No entrevero da vida ferida
sarada no caos pulsante


Licores perdidos nos decibéis
briosos da chorosa aurora


Nos temas de outrora
sou tom sou aurora.

Nety Maria Heleres Carrion

Elo nupcial - 200108

Mistérios
sublimam horas
despenteiam a mente
burilam e vertem
sons
nos bairros celestes


Bronzeiam
a noite
trocando mensagens
da aurora

Nos braços
das trevas fulgura
tempo estéril rumo
ao elo nupcial
na orgia
do tempo.

Nety Maria Heleres Carrion

Colar da Vida - 220208

O suspensório da ilusão
descola
o bordado no tempo


Em cataratas
contas do colar da vida despencam e saltitam
no peito vazio
da noite


Disparam
em busca do tênue fio
que manterá vívido o elo partido


Contas à espera
do resgate solidário para compor
novo colar


Contas desgarradas
içadas pelo ímã
da imaginação e temperadas
com o salsol
da inspiração


Recuperadas e alinhavadas
no colo
retornam sublimadas
em mananciais
de ternura.
Nety Maria Heleres Carrion

domingo, 5 de outubro de 2008

Desvario dois - 060608

O desvario me toma me soma
para prantear o coma das horas
dispersas nas gotas
do pensamento

Borbulha em cascata sideral
toma forma espectral
luz calor frio
geada
nuvem vapor


Exaure cascatas esfomeadas dilúvios
em cadeias briosos hospedeiros
dos mananciais repletos
de ondas poéticas.


Cruza na selva asfáltica a touceira
mediana troca estranhos pensares


Pesares de gordura cotidiana
que enlaça alma estrábica


Grunhido ensaboa o pranto ecoa
no vendaval da história curtida
nos tempos dispersos

Serpenteados nas trevas da ilusão

retinem revoada de oblações


Cortam auras juvenis com o fio
que borda o tapete florido
da paz


Dançam nos ares aos pares unindo
a seiva colorida que acende
a balada dos deuses


Num eco de luz enxágua

sentimento. 


Hoje eu quero a rosa mais linda
para lançar nos caminhos
do coração


Despetalar
dividir cruz


Estrada na rota harmoniosa
do amor


Quero a rosa genética
nos caminhos da sorte




A noite passou e deu as costas
ao andar poético e lançou trevas
no coração da aurora


Buscou sementes adormecidas
nas covas e burilou os brotos
da criação com as pérolas
raras da inspiração 


Perdidas na imensidão do pensamento
que reborda as bordas
da vespertina noite


O grito da noite fere os ouvidos ávidos
do dia e entreva a couraça do sono
com a mudez pálida
do canto lírico

A brisa bem de leve roça
o rosto na roça da solidão


A brisa bem de leve encaracola
os fios da esperança com o gume
do amor


A brisa bem de leve transita
nas cores do amanhã solitário


A brisa solitária esquenta
o fogo da ilusão



No chão do coração gesta o grão
da saudade com o humo caramelado
da fantasia


Preso ao cordel que imanta
as quimeras da poesia

Enrolado no lençol da madrugada
o sonho precipita-se no vazio
da ilusão e sobe a torre
angelical florida



Onde bailam fadas gnomos
duendes num só compasso


Nos cantos da aurora explode
hino à criação


Debulha frio e calor em louvor
ao cupido que apita tríduo
nos anais do amor


No calvário do tempo o pensamento
despedaça e caça o tédio que desabriga
mente e dispersa memória injetada
pelos silvedos espinhosos
da ilusão


Desencadeia a lucidez do amor
que ostenta a chama
da consciência


Imolado em panos quentes
sopra o sopro do amor embebido
nos faróis cadenciados
de ardentes canções


Nety Maria Heleres Carrion

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Gêneses da semente - 310308

Na maré da vida enceno olhar
desato meus nós viro pó
nas estrelas

Tormentas do tédio
estilhaçam e voam

Miçangas do amor nos obeliscos
dos sonhos

O espectro do amor rola
nas geleiras da solidão

Palma patina e rompe o lacre
da saudade enredada
no centro da noite

Tambores a rufar pelas ruas
dos dias
Coração peregrino escolta galeras
da opulência sobre a cálida frequência
Melodia crua no dorso arfante
da aurora

Nos destinos dos astros brindes
de luares cingidos pelas pérolas
dos cantares

Doces aves desmancham
ninhos
Tédio da figura
insegura


Atrelo no perau da solidão a música
solidária da paixão

Sulco as horas solitárias e aporto
nos castelos dos desejos vacina
que imuniza coração

Nos obeliscos da alegria tremulam
arestas do pensamento

Em basculantes manobras deslizam
no chão vermelho do coração.

Vênus alvejou a terra e teceu brilho
de primavera nos fecundos grãos

Adornos de quimeras soltas
nos vazios das covas

Aquecidos por raios prateados
pranteiam a gênese
da semente

Perambulam nas hóstias do tempo
em busca do ósculo da liberdade
no cárcere redimido
da vida.

Nety Maria Heleres Carrion