sábado, 10 de setembro de 2011

Verdades ou mentiras - 09092011

Vem de ti todo bem
que assombra meu querer

Vem de ti todo bem
que se instala na mala do tempo e viaja
na barca do sucesso

Dispensa comentários
faz jus aos aplausos que recebe
nas estações da vida

Falas e gestos recebem medalhas
condecoradas nas batalhas do bem e do mal

E assim

A jornada sem sal ganha tempero
ditado pelo preciso tato do autor
nesse enredo narciso

Parei no tempo

Para acolher aumento generoso
da linguagem erudita

E o que fica

É castelo de areia
cujas sílabas desmoronam
no roteiro da poesia

Verdades ou mentiras
sugadas pelas gotas da memória

Flutuantes poções mágicas
que despem pesadelos e se vestem de sonhos

Flerte com as rimas
num enlace
poético

Afofo meus dias
com a leveza da poesia
que rola colorida ou em preto e branco

Nety Maria Heleres Carrion

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Emendas - 05092011

Uma pedra só não chega
para alicerçar o meu viver
é palha que escorrega
dentro de mim

Cria limo nas veredas
deslustra o cotidiano
é dureza
é mó que rebenta
nos cotovelos da sorte

Miragem que ultrapassa
o mistério da linguagem

Reflexão amparada
na sabedoria e no misticismo

Rola de aldeia em aldeia
serpenteia andares da vida e chega
à solidez almejada
nos veios da fé

Esperança crescida
nos arrabaldes do pensamento

Corto tudo que não tem conteúdo
exorto planos centrados
no mundo das ideias

Me prostro diante do bem e do mal
desloco a seiva do mais colorido
espalho pela existência

As pedras me acompanham
nos momentos de euforia e de pesar
me ajudam a vencer medos
opressões
nesse mundo concreto abstrato
onde dou voltas e mais voltas
para não tropeçar
em suas agudezas

Elas me trazem a reflexão
de que nem tudo
são flores
e que dores e alegrias
caminham juntas
feito avesso e direito

Detalhes que posicionam
o meu eu nas escolhas

Coroam meu viver
com louros ganhos
nos repentes do pensamento

A hora é agora e a história
nem começou

A trajetória está por vir e ser passada
em pratos limpos o decidir
que bóia nas eras
esquecidas nos caminhos

A hora é agora e me lanço
sem demora
num mar de ilusões
que encrespa meu ser

Peleio os tempos idos
com vistas no depois
para que o agora me encontre receptiva
às linguagens das promessas
de consolo
de porvir

A teimosia
me conduz à esperança
mesmo que tardia

Pede porto seguro
para ancorar meu eu
e tudo que posso dar e receber

Quedo-me
diante Daquele
que me ampara
pelos caminhos difíceis

Com minhas alegrias se alegra
consola-me nas tristezas
dirige meus passos nos trilhos
da sabedoria

Aquele
que a meu lado caminha

O sopro da manhã
embeleza minha mente
com retratos sarados da natureza

Reaviva toda a beleza
contida nos contos
principescos
dantescos
pitorescos

Aventuras
romances
fábulas condecoradas
balançam a mente

Recolho metas
nas figuras de linguagem
para soltá-las aos poucos
nas emendas literárias
que conduzem suco poético
nos selos aristocráticos
da poesia

Nety Maria Heleres Carrion

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Esse mar é meu - 190711 - DG

Esse mar é meu
seu gosto entra pela boca
e massageia a pele da memória
Esse mar é meu
me toma por inteiro
fazendo de mim seu parceiro
Esse mar é meu
e o contágio das ondas
ricocheteia no lombo da noite e lança
lágrimas peroladas
sobre o dorso esvaído do sono
Esse mar é meu
se enrosca e se lança
abrindo as pedras
da imaginação

Nety Maria Heleres Carrion

Sintonia - ZH - 24082011

No espaço dimensionado
para o meu viver
deposito emoções
extrapolo sentimentos
do meu ser
Projeto minhas falas
no espelho
que as reflete
em noites de gala
Cores
que cabem na íris
em sintonia telepática
Nesse espaço
a palavra é carregada
sem destino
nos trilhos
onde compartilho
esse hino

Nety Maria Heleres Carrion

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Hora solene - 27082011

A Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do sul
abre portas e janelas de seu palco
para receber os formandos
da Ciência da Computação
Guilherme e Nicole

Na passarela
dois atores vestidos a caráter
desfilam entre aplausos e sorrisos

Alegria que contagia os pais
os parentes e os amigos
que os parabenizam
nessa hora solene

Nety Maria Heleres Carrion

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Neuroquito - 18082011

Escasseou o combustível dos neurônios
e o que resta são apenas migalhas
que não cabem nas metáforas

Migalhas que lutam por um lugar ao sol
para aquecer as sementes do verbo
encolhidas na cova do pensamento

Esforço sobrehumano da palavra
em luta corporal com a linguagem
que embala versos e estrofes

E o que resta
é a letra
é a sílaba
é a palavra
para massagear e ativar os neurônios
que despertam e na passarela revelam nuances
em tons de primavera
nas páginas brancas da vida

Resta conduzir a memória
num caminho de suor e lágrimas
até chegar ao quiquito
de melhor enredo
poético

Abrem-se alas
e por elas desfila o neuroquito
esbanjando alegrias
da conquista

Nety Maria Heleres Carrion

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Leques - 10082011

Nas lacunas
rótulos e fórmulas do meu pensar
hibernam para que ali criem raízes e liberem
sementes mágicas da mais pura linhagem

Nesse recanto de fantasia
rimas e metáforas evoluem e desprendem
seu grito de liberdade

Fórmulas
no compromisso com a linguagem

Rótulos
sem vínculos pejorativos

Obstáculos conquistas
leques
positivos à poesia

Do outro lado da linha a tábua da salvação
o beaba que transforma palavra em oração

Nos cantos da casa
encontro resistência na busca pela essência
criadora dos temas
que alicerçam a poesia

Limo as rimas
para que o gênio da poesia solte o verbo
encarnado na garrafa
encantada

Exercito minha linguagem
sem pé nem cabeça e filtro os grãos da verdade
até que se enquadrem às normas propostas
nos temas de cada dia

A noite começa para leigos e doutores
sem previsão de aumento poético

Abas de suor
que gotejam no tempo e aumentam
o peso das horas
que não me dizem respeito

Nety Maria Heleres Carrion