quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Hora solene - 27082011

A Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do sul
abre portas e janelas de seu palco
para receber os formandos
da Ciência da Computação
Guilherme e Nicole

Na passarela
dois atores vestidos a caráter
desfilam entre aplausos e sorrisos

Alegria que contagia os pais
os parentes e os amigos
que os parabenizam
nessa hora solene

Nety Maria Heleres Carrion

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Neuroquito - 18082011

Escasseou o combustível dos neurônios
e o que resta são apenas migalhas
que não cabem nas metáforas

Migalhas que lutam por um lugar ao sol
para aquecer as sementes do verbo
encolhidas na cova do pensamento

Esforço sobrehumano da palavra
em luta corporal com a linguagem
que embala versos e estrofes

E o que resta
é a letra
é a sílaba
é a palavra
para massagear e ativar os neurônios
que despertam e na passarela revelam nuances
em tons de primavera
nas páginas brancas da vida

Resta conduzir a memória
num caminho de suor e lágrimas
até chegar ao quiquito
de melhor enredo
poético

Abrem-se alas
e por elas desfila o neuroquito
esbanjando alegrias
da conquista

Nety Maria Heleres Carrion

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Leques - 10082011

Nas lacunas
rótulos e fórmulas do meu pensar
hibernam para que ali criem raízes e liberem
sementes mágicas da mais pura linhagem

Nesse recanto de fantasia
rimas e metáforas evoluem e desprendem
seu grito de liberdade

Fórmulas
no compromisso com a linguagem

Rótulos
sem vínculos pejorativos

Obstáculos conquistas
leques
positivos à poesia

Do outro lado da linha a tábua da salvação
o beaba que transforma palavra em oração

Nos cantos da casa
encontro resistência na busca pela essência
criadora dos temas
que alicerçam a poesia

Limo as rimas
para que o gênio da poesia solte o verbo
encarnado na garrafa
encantada

Exercito minha linguagem
sem pé nem cabeça e filtro os grãos da verdade
até que se enquadrem às normas propostas
nos temas de cada dia

A noite começa para leigos e doutores
sem previsão de aumento poético

Abas de suor
que gotejam no tempo e aumentam
o peso das horas
que não me dizem respeito

Nety Maria Heleres Carrion

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Hino - 25072011

No espaço
dimensionado para o meu viver
deposito emoções
extrapolo sentimentos
do meu ser

Projeto minhas falas
no espelho que as reflete
em noites de gala

Cores
que cabem na íris
em sintonia telepática

Espetáculo
de lua nova
estrela brilhante

Luz
que se renova
em cada instante

Calo
diante do espetáculo e aos pouco
me solto

Nesse espaço
a palavra é carregada
sem destino
nos trilhos onde compartilho
esse hino

Nety Maria Heleres Carrion

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lirismo - 10072011

verso inteiro
música
letreiro

sem máscara
rima primorosa
obra-prima

lirismo
mais-que-perfeito
para sobreviver aos versos
derramados
sobre a folha e chegar
ao poema

Nety Maria Heleres Carrion

sábado, 2 de julho de 2011

Instante - 02072011

Que penso eu nesse trajeto
onde dou espetáculo ou me retenho
onde me alicio ao cantar do tempo
me posto junto ao firmamento
faço proposta
dou aposta

Tenho as costas largas
suporto corridas
amargas ou doces

Me entretenho com as palavras
que brotam descem saltam
se enlaçam
para que o mundo me conheça
se abasteça do que penso
e me rodeie
com suas bênçãos

Só isso me chega e me pega de surpresa
nessa hora em que destilo ousadias
na emoção de cada dia
que começa com promessa e finda
colada a uma prece

É só isso e isso é tudo
que me faz ficar mudo
ou me leva a gritar
pelos vales e montes onde atuo
com cenas histéricas
centradas na esfera
em que vivo

E só disso me alimento e me transformo
como se nenhum sinal distraído
se achegasse ao meu eu

Só eu sei o que me aperta
e o que desperta um ai de consolo
que destila cenas de todos os tempos

Tudo sói no palco heróico e o depois
remove lembrança que dói
mas aquece como o sol
de todas as manhãs

Bebo tudo num só gole
sem pensar em nada
para que esse manjar se incorpore
ao meu estar
nesse instante milenar

No espaço sem fim
busco a essência de todas as coisas
entre o concreto e o abstrato

Busca perene
dos estratos da alma

Divago
mas não estrago esse espaço
inserido em mim

Cresço
de dentro para fora
renasço
me acabo
ou me fortaleço

Não jogo nada fora
sem antes dar afago e guardo
no memorial dos séculos
para que sua linguagem flua
bordada de mensagens

Nety Maria Heleres Carrion

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Céu - 30062011

Quase que a noite me atropela
se não fosse o alerta do mundo
que me quer sempre alerta
ao que ocorre ao meu redor

Quase que o céu desaba
com multas e sentenças
sobre o chão escorregadio
do pensamento

E aos pedaços junto meus trapos
para que a noite não me encontre
aos farrapos e mande mensagem
desvirtuada do meu eu

Envido esforços para que nada
me pegue de surpresa e jogue na mesa
minhas alegrias ou fracassos

Enfrento de pé essa dureza
junto pedaços de histórias
coloco os pingos nos is
para que a noite me acompanhe
na jornada e carregue
meus sonhos e fantasias

Concentro meus passos
em busca do espaço
destinado às preces
que sobem aos céus e retornam
agraciadas por bênçãos

Nety Maria Heleres Carrion