quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dons - 11102020

Não escolhi

Mas recebo e agradeço
pelo resto da vida
os dons extraviados no mundo

Nety Maria Heleres Carrion

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Palavra - 13102010

A palavra chave indica a metáfora
que desembrulha as letras e forma a poesia

Decifra o enigma e abre os redutos
esclarecedores da mente

A palavra chave torna possível o encontro
com o interlocutor e dá continuidade
 ao espetáculo

Cruzo os braços quando passo
para não chamar o fracasso
delineado nos passos falsos do porvir

Atravesso os sinais
que medem o bem estar dos passantes

Nety Maria Heleres Carrion

Murais do pensamento -14102010

A noite
 acolhe fantasias e sonhos
dispersos nas horas insones e recheia
os murais do pensamento

Viaja
no carro alegórico e percorre
a intimidade da mente

O céu
se cala e a noite assume o papel
esconde o jogo de luzes
até que o sinal da aurora faça valer seu mandato
na pele do dia

A noite
acorda e desfaz os mitos
celebrados nos sonhos e dispersa
as promessas de fantasias

Desfila nas ruas
com sombras e luares

Abandona cetros e coroas
esmaece com os claros da aurora

No acender do tempo
 o sonho desmaia ou atrofia
nos vãos da realidade

O gosto da noite ressoa viril
nos planos do dia e dá sabor de fantasia
ao seu trajeto

Cantei todos os cantos
rimei todas as rimas
gastei palavras e mais palavras
fiz versos e mais versos e reuni em mil estrofes
que se mesclam aos poemas

E agora o que faço
começo pelos poemas e desarmo
estrofe por estrofe verso por verso
até chegar ao zero absoluto

Recomeço do A ou do Z

Já consumi
toda a retórica dos poemas
juntei retalhos para a colcha e dela me desfiz

Que faço

Nety Maria Heleres Carrion

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Adeus - 07102010

Está na hora de colocar para fora
o que ficou na alma e agora
quer tomar parte da vida

Está na hora de dizer adeus
ao que ficou para trás e rever o ateu
instalado nos corações

Está na hora de lançar
fluidos geradores de emoções
que iluminam o ser.

Nety Maria Heleres Carrion

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sou do Sul - 20092010

Esperei toda a semana
para ver
o Vinte de Setembro
a céu aberto

Sou do Sul e Deus permita
que eu nunca saia daqui
pois foi neste Vinte de Setembro
que cantores e músicos
gaúchos
deram um show no palco
da RBS
aliados a espetáculos de dança
dos casais
que servirão de modelo
a toda a terra.

Nety Maria Heleres Carrion

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Notas de paz amor e união - 24092010

Achei melhor aqui do que em outro lugar

Cupim por cupim
casa velha por casa velha
melhor é aquela que foi destinada
para as manas e para mim

A casa antiga tem tanta história
nas paredes externas e internas
no chão e no teto

Períodos de infância juventude
maior idade

Histórias
de bons ou maus tempos

Lazer escola arteirice que convidam à junção
sempre que o tempo estiver a favor e no maior respeito
para nessa história deixarmos notas
de paz amor e união

Nety Maria Heleres Carrion

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Gentes minhas - 07092010

Andrajos espirram disfarces
exibidos no andar calejado
pelos sonhos desbotados

O sonho divide caminhos
corta trevas luzes e retorna diluído
nas mensagens bombadas na agudeza da vida

Espalho peças do andrajo
pelas rotas peregrinas e no casulo me alojo
com bagagem concentrada
na soma dos dias auferidos ao meu eu

Não deixo nada para trás
do meu pensar

Junto espaços vividos
no bom ou mau tempo

Esperanças e sonhos no amanhecer
das horas

Semeio o que resta no humor
do tempo e distribuo o dna das eras
embalsamadas na emoção

Não tenho pressa
tenho todo o tempo do mundo

Faço valer o segundo que se achega
sem falha e fala
com promessa de tudo

Reverto o meu tudo em versos mirabolantes
que trazem assombro e aquecem
as gentes minhas

Tenho todo o tempo do mundo
nesse paraíso moldado pelas cores e sons

Badalo o sumo da poesia e me aproximo
da alegoria poética

Quimeras no picadeiro
da fantasia

Mimo o meu pensar e diluo
as gotas da memória

Suor e lágrimas ejetados da mente
transladam sabedorias bíblicas e profanas
no cenário festivo da poesia

O choro apenado desliza preso
aos cantos das lágrimas

Salgadas no mar das ilusões
vertem dores e alegrias

Dou corda ao meu eu e transfiro o gosto
da poesia para atuar no palco

O reflexo do meu eu me acompanha
pelos caminhos e traça pegadas sem destino
em busca do cais para ancorar meus sais

Persigo o meu eu pelas esquinas
do tempo e ali deixo meus sentimentos

Nety Maria Heleres Carrion