domingo, 8 de fevereiro de 2009

Luto caipira - 140109

Por trás dos montes existe uma ponte
onde brilha avessa às torturas


De trás dos montes desponta
história mal sucedida
encardida no tempo
espesso da vida

História engendrada no luto caipira
desfia lágrimas num mundo
aos pedaços

O tempo gesta sementes adormecidas
nas prateleiras da memória e aduba
livro tímido na alcova onírica

Peças que hibernam na história

Enxertos maculados no espaço
florido das idéias

Borrifo as candeias nas sombras e luzes

Mergulho na arena trançada de cores
sons amores

Anomalia caiada nas dores

Espalho sementes na roça esperta
do tempo

Metamorfoseio trama

Recolho fruto exausto maneado
na era burocrática

Espio mundo secreto no tripé
do best-seller

Misto de romance ficção e recriação
frente à história

Crio oásis de beleza para cena
enfadonha

Arte dramática

Gueixas mentoras das idéias
close de beleza

Arte da natureza.

Nety Maria Heleres Carrion



quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mundo bíblico e serestas - 021108



O galo cantou no céu
da madrugada e a passarada
entoou gorgeios
em disparada

O mundo dorme
compenetrado

Jaz inerte
sono profundo
pálpebras cerradas
ouvido fechado
ao pedido de socorro
do morro

O galo esperto
desperta o mundo enfermo
à espera de milagres
de cabeças pensantes

Natureza à disposição
possibilitando o viver benfazejo
aos pés dos seres vivos

Mundo tostado
pelo descaso

Mundo bíblico
de Adão e Eva.


Na harpa dos sonhos aroma de flores
coração puído deserto de sons

Na capina da vida sol varrendo
esquinas restos raspados à mesa
migalhas na cabeça
falhas e alegrias
nos dentes

Serestas de anjos
na Ceia de Natal.

Nety maria Heleres Carrion

Mar - 021108

Céu de novembro
esteira do mar
sem eira
nem beira

Desfio sonho
cantarolo
a última canção

Sacudo
o compasso dos dias

Belisco
o caminho e acordo
sem eira
nem beira

Sem flor pra cheirar
na beira do mar.

Nety Maria Heleres Carrion

Dá-me dó - 200907


Dá-me dó dos que não solfejam
em remenor ou mibemol
pois fasolafora si soubermos
solfejar

Doremifasolasi vibram
sem parar
vibram no céu e no mar

Pautas e claves
rendem graças e as notas
musicais suspiram nas teclas do piano
valsando
nas carícias das mãos

As mesmas mãos
produzem rimas cerebrais ornadas
de sensibilidade ondulatória

Num doce tecer a torta
de goiabada
adoça poemas de notas
graves e agudas
dando sentido
ao teclado da vida

Carrega consigo melodias
extratos de vida dedilhados
em acordes poéticos

Doredá sentido ao sustenido
dobra refrão
fica com o mi para si
leva o fá para bailar
coloca a coroa
no rei sol e adormece
si quiser.

Nety Maria Heleres Carrion

Noites de cristal dois - 260907

Tom brejeiro adocicado no mel dos insossos
tempera o gosto cristal da têmpera
que desponta na ampulheta

Brinca e cobre de poesia
hiberna na treva da inspiração
reacende o farol
da alegoria

Sabor poético
no véu da criação.


Na trama
colho rasa rama
que rebenta nos botões da mente

Sussurra dedilha flamas
pichadas de pigmentos machucados

Estende braços abraça
dá graças quando ele passa
na praça dos desejos ordeiros

Poemas da era noturna
no aconchego gustativo ressoa
lépido nas dobras do pensamento

Versos sapateiam nos sonhos
colcheteiam clarins e trançam rimas.

Nety Maria Heleres Carrion

É - 021108

Mistérios
da madrugada
na vanguarda dos anos
atiça farol da ilusão



É sorte
é corte
é esperança dos dias
no apuro das horas



É respaldo
do caldo semeado ao vento
tempestuoso do tempo



É a última gota
suada
molhada nas lágrimas
do pensamento



É a última gota
diluída no tempero crisálido
do coração.

Nety Maria Heleres Carrion

Cordas elásticas - 021108

O balofo rosnar de emoções
despe a luxúria das horas e semeia
os grãos da saudade
no humo corado do tempo

Rejeita cisco disforme
no deleite mapeado no sono rubro
da pernoitada aurora que cavalga
no pelo acre do mundo

O sal do mal pernoita na viela
da solidão e jaz nas ondas sonoras
da imaginação
plagiada no teto lírico
da inspiração

Visto meu tempo de recordação e descasco
arestas puídas com o gume colorido
do sentimento

Sento os olhos no balanço sonoro
do sono e dedilho a harpa gasosa
com as cordas elásticas
da imaginação.

Nety Maria Heleres Carrion