domingo, 1 de março de 2009

Sem anéis - 071106

Vivo em meio a papéis sem anéis
mas anelada em meio
a pensamentos


Vivo desse ou daquele jeito
nada é perfeito
mas me ajeito


Insuflo o peito
daquele ou desse jeito


Vivo peregrino
sobre a terra sem morada permanente


Hóspede
que nada tem a ver
com os negócios do mundo.

Nety Maria Heleres Carrion

Palavras esdrúxulas - 050907

Versos de cunho lírico
solfejos de sons e réplicas
acordes em si melódicos
invadem mundo estrábico


Nas claves de sol clássicas
prelúdio musical estático

Doces palavras esdrúxulas
despem-se lentas ao crepúsculo
rodeiam o mundo elíptico
soltando o verbo encíclico


É rima apocalíptica
é melodia lúdica
é solfejo espasmódico
na clave de sol empírica.

Nety Maria Heleres Carrion

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Casulo do dia - 140209

A noite principesca
amadurece
as horas

Descola
sonhos e fantasias


Circuitos voadores
ornam procelas e incendeiam
o mundo eclético


Burguês sonolento espia
o casulo do dia

Retrata
o cansaço
da pieguice medonha.


Nety Maria Heleres Carrion

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Casulo adormecido - 150407

Penso
escrevo
existo

Difundo pensamentos
idéias
para o mundo

Evolo sentimentos
que sobressaem do casulo adormecido
enclausurado nos divinais recônditos líricos


Mensagens calóricas
que desprendem tamborilantes auras juvenis
impregnadas de joviais e jubilosos anseios pueris
ritmados pelos ecos cantantes do verso ondulante revolto
dos guardados da memória

Memória exultante
plena de mitos e ritos
em busca do elo reconstrutor
nos dias elásticos supridos de imagens

Esculturas líricas
afrodisíacas
retidas nos montes
pictóricos


Pigmentos lúdicos
acenam ao mundo encantado

Fantasias ordeiras
imantadas de florais temperos
extraídos de um tempo galático
gestando corpos estelares
míticos
em ascenção cósmica


Atraídos por coros secretos
segredos multifacetados
multicoloridos
ornam orla espacial celeste
vidente
onírica
embalada por deuses e musas
extradimensionais
que planam asas peroladas
translúcidas
num castelo adormecido
pelas quimeras zodiacais
em contato com mistérios oníricos
do pensamento humano

Nuvens alvas
da alma labiríntica
burilam ocaso anodoado
que habita nostálgica página de vida gêmea
caída no pedestal emblemático
em horas celestiais
de sapiência
milenar


Crisálidas larvas do coração faiscado
pela poeira do tempo
circulam em castelos
de sonhos
redentores
andares


Degraus anelosos
sob um palco espectral
lançando fluídos enlatados
na orgia do tempo
que não pára nem vacila
não raciocina
não dorme


Avança
ceifando corações
abotoando ilusões
nas casas
da memória

O tempo dispara lentamente
solta-se ao vento em direção ao futuro
ornamentado esperançoso
que reluz
numa aura transparente


O tempo avança e pisa
no calcanhar daquele que ousa
seu passo travar

O tempo dispara sem rodeios
busca o infinito e colhe mensagens
que se dispersam no ar
atraídas pelas mentes
receptivas


O tempo amadurece as horas
molha os olhos seca os dias
resseca pensamento nublado
pelo envelhecer carcomido
da semente gélida
num lépido passar
de tempo.

Nety Maria Heleres Carrion

Fuso emocional - 120407

Dorme o mundo
dorme
a palavra
nada acontece



Flutua o lápis
na esmarelecida folha
esperança da consciência
que desperta
num fuso emocional



Despregam-se sentimentos
da meditação destoante



Quebram-se cristais
na entoante memória



Dedilham-se acordes
suspensos em horas soturnas
que invadem os porões
da saudade



Ofuscados pelo brilho
focado no translúcido volver
do pensamento
coloridos raios penetrantes
da mente esvaída de pérolas
cristalizadas
são espargidos pela aurora
no seio da terra.

Nety Maria Heleres Carrion

Cântaros de ilusões - 230307

Sorrateiramente explodem cântaros
de ilusões retidos no pulsar
das horas vespertinas


Líricas abordagens
transbordantes
efêmeras


Piscosas torrentes abrindo
mescladas imagens
da evolada memória


Místicos seres
regados
de preciosos auríferos


Suave cadente tênue
aurora da vida


Supremos mananciais cacheados
ressonância homem/deus
divino/humano regados
por luminosidades reflexivas


Pensamento boreal ermo latente ensacado
nos rosáceos tules do tempo
corroi estocadas mensagens e lança-as
aos pedaços no espaço


Sílabas flutuantes
no espaço temporal
da vida


Dança cosmopolita grotesca pinelada
ordenando saltando no vai e vem
até encontrar poético e cristalino
consenso


Mananciais
de ternura estética
floridos de simbólicos
gestos briosos
com multicores
toadas


Brilha no espaço
estrela que pisca mensagens
à natureza.



Nety Maria Heleres Carrion

Vertente de beleza - 260307

Poete-se garça poética

no rio de alma florida
que teu vôo reflete

Poete-se garça poética


nos ares das cidades
nos ares das florestas

Asas tamborilantes


paraquedas rasantes
no espaço celestial

Poete-se vertente de beleza


regue flamantes recados
balizados de esperança

Poete-se no halo silvestre


ao som da mata
na luz e nas trevas
do anoitecer ao alvorecer

Poete-se garça poética


conduza o pólen
da semente cálida
ao altar humoso

Alimente a lide campestre


na terra benfazeja
onde desabrocha e perpetua-se
a grandeza da natureza
na sede das hora
de auroras coradas.


Nety Maria Heleres Carrion