domingo, 17 de abril de 2011

Mural - 17042011

bem que te vi
a rodopiar
a cantar
a saltar

mal te vi
num sopro

na janela
adormeci

naquela aquarela
tatuada
de sonhos
ninei


No pódio do amanhecer
sol em erupção

cores do arco-íris

no espelho
da noite
lua

luao



Segredos
linhas traçadas a esmo

mal traçadas linhas
embalsamadas
em redutos literários

não desvendo

copiosas chamas
num afresco

linhas
em degredo

  Loucos momentos
em tão pouco
tempo

espera
lucidez

        nudez
dos tempos

Nety Maria Heleres Carrion

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Coisas afins - 15042011

Sob o espaço sem fim
uma estrela me conduz
a muitos universos

Brinca
com as cores e os gestos

Me desperta
me faz feliz

Me faz sonhar
tempos heróicos

Luz
em todas as direções

Sob o espaço sem fim
no recanto débil
do coração

A chama da esperança

No espaço sem fim
o que seria de mim
sem o abraço
do mundo

Abarco dádivas
aqui e ali

Sob o espaço sem fim
vibra a semente
do verbo

Ecos
de paz
tão perto de mim

Nesse universo sem fim
jogo tudo pro alto
e me renovo
num salto

Sem pousar
no fim
ou no começo
da jornada
que abriga
a minha estrela

Nesse espaço sem fim

Sei

Que nada sei
dos escritos nas estrelas

Linhas sem fim
recheadas de sabedoria

No espaço sem fim

Eu e tu

Coisas afins

Nety Maria Heleres Carrion

terça-feira, 12 de abril de 2011

O céu é o limite - 11042011 - ZH

Reparto em mil pedaços
o óbolo que recebo
e peso cada ato
para que de fato
surta o efeito esperado

Me desarmo
da cabeça aos pés
para que tudo flua
com sentimento e fé
e nada se perca
por entre arestas
negativas

Nessa jornada poética
acredite
o céu é o limite
para todo aquele que sai
pelo mundo da fantasia
e gagueja nas letras
até chegar ao verso
sem receios ou medos
em busca de resposta
para seus devaneios

Nety Maria Heleres Carrion

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Filho pródigo - 06042011

Colo a sombra dos meus ais
no solado da vida
onde vibrará sob os passos
descompassados
das rugas dos caminhos

Nada sei do amanhã

O ontem desprendeu-se de mim

Bolhas de ar que chegaram ao fim
sem perguntar se era assim
e se eu queria esse fim
para mim

Não importa se essa porta
se fechou para mim

Importa que essa mensagem torta
chegue morta na reta final

O agora me seduz
libera tudo que sempre quis
libera sonho
libera fantasia
libera esperança aqui e ali
nos croquis da vida

O depois
trará respostas com sentenças
de prós e contras 

Alei meus versos para que voem
às terras do sem fim
e voltem sempre
para mim

Dei carta branca aos meus versos
status amor e liberdade
para que fiquem longe de mim
mas regressem ao ninho
condecorados
pelos troféus e medalhas
nos saraus poéticos
da vida

Versos do meu mundo
para o mundo

Abrirei as portas dos meus versos

Terão passaporte vitalício
e quem sabe eterno
para que percorram o universo
e como um filho pródigo
à casa paterna retornem
com vestes brancas
louros e coroas

Condição sine qua non

Que na sombra da noite
ou do dia
se acheguem a mim
sem perdas e danos
para serem acarinhados
após cada missão

Nety Maria Heleres Carrion

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lado adormecido - 2004

Quantos versos eu farei
somente Deus poderá dizer
cinquenta um milhão não sei
com o tempo iremos saber

As minhas composições
verdades ou semelhanças
às vezes são ficções
emaranhadas nas lembranças

A história de cada um
vou aos poucos versificando
quem sabe em três mil e um
termine o que estou pensando

Não é brincadeira não
o que encerra o meu íntimo
aflora não há senão
pode chegar ao infinito

Os versos que aqui faço
estendo-os à humanidade
assim levando um abraço
com toda a sinceridade

O meu lado adormecido
acordou voltou a brilhar
talvez seja reconhecido
àqueles a quem tocar

Vou ter muito que malhar
pois isso não é brincadeira
até podem me ralhar
mas não digam que é besteira

Nety Maria Heleres Carrion

Vocação - 2004

Não pleiteio academia
nem sou poeta maior
minha cadeira está vazia
sou um poeta menor

Estou poeta e não me canso
de ao Ser Supremo agradecer
componho retoco e lanço
com humildade meu parecer

Ficarão a sete chaves
no meu baú invisível
mas nunca serão entraves
ao meu dom que é previsível

Assim poeta quero estar
dando vazão à criação
e assim poeta continuar
pois é minha maior vocação

Nety Maria Heleres Carrion

Contos de fadas - 04042011


Nas minhas andanças
pelo mundo da fantasia
separo cada goma poética
pelas cores e formas
e transporto para as telas
onde dão vida
aos meus poemas


Ilumino as telas com a luz das estrelas
e aromatizo com o mel
das rimas

A natureza aos meus pés
se revela como num conto de fadas

Reis e rainhas
príncipes e princesas
plebeus e plebéias
banhados pela carruagem
do sol e da lua
num sincronismo entre o dar
e o receber

A natureza retribui os presentes
com exuberância de formas
e sons

Nety Maria Heleres Carrion